domingo, 3 de maio de 2009

Definição roubada.

"Sara, minha querida:
Os atores são réplicas. Eles simulam a atividade humana com tal excelência que, vistos daqui, são melhores, mais redondos, mais exatos que os seres humanos. O que fazemos todos os dias, cheios de pontas irresolvidas, o atores imitam com tal minúcia que se tornam eles próprios a alma do gesto. Réplicas concentradas da atividade humana.
Mas ponha-se um ator à solta: o fantasma respira mal sem texto; ele procura na calçada o limite do palco, inquieta-se com a indiferença da platéia, corre atrás da cortina, que não há; lembra-se de fragmentos de texto e de gesto, em busca de uma impossível unidade, de um suave arredondamento da vida que não está em lugar nenhum, exceto no tempo da peça."
{Cristóvão Tezza - Uma Noite em Curitiba}

estonteantemente perfeita e correta. aplausos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sobre a Pressão Palavrosférica.

Se a pressão de fora for maior que a de dentro, o corpo tende a se “encolher”.

Se a pressão de dentro for maior que a de fora... bem, o corpo expande. Ou explode.

É o que a física diz sobre a pressão atmosférica.

Bem, devo confessar que detesto física, mas estou sentindo na pele a comprovação dessa teoria. Só que não com o ar. Estou falando de algo tão poderoso, que em mãos erradas pode se tornar uma arma de destruição em massa, mas nas mãos certas se transforma em salvação: A palavra.

Nas minhas humildes mãos, que ainda não têm o direito de serem certas ou erradas, a palavra é apenas um caminho de chegar às profundezas obscuras de mim mesma. Mas ultimamente ando descobrindo um poder das minhas próprias palavras internas, cultivadas com carinho e dedicação, que ignorava totalmente e que agora me deixam nesse beco-sem-saída.

Voltando à (urgh) física, vi que a pressão exercida pelas palavras obedece as mesmas leis da pressão atmosférica. E, olhe só que privilégio, nem necessito de experimentação científica ou um laboratório ultra-tecnológico para testar a veracidade dessa minha constatação. Simplesmente porque convivo com isso todo dia, em minha sala de aula e, obviamente, em mim mesma.

Por enquanto, as diferenças de pressão citadas acima são meras suposições, mas posso garantir que até o final do ano, o resultado final aparecerá em meus próprios amigos. Eu vejo, com a equação precisa da observação de uma atriz veterana, as forças agirem e talvez pudesse até determinar a direção e sentido do módulo das forças. Não tenho como calcular seu valor, pois a ciência não é tão magnífica a ponto de transformar em unidades o sentimento das pessoas, mas eu percebo quando a pressão é maior fora, ou dentro. Mas não sou onisciente (graças a Deus), e não tenho direito nenhum de especular sobre vidas alheias. Por isso, falarei da minha própria experiência.

Em ano de vestibular, nada mais comum que a pressão das poderosíssimas palavras (tente falar essas quatro últimas palavras vinte vezes bem rápido!) vindo de todos os lados. Como disse, em alguns ela vem de dentro, em outros, de fora, e a reação ameaça ser exatamente a prevista pela física. Em mim, ela vem de ambas as direções. As intensidades variam, o que causa momentos de expansão exagerada, e outros de encolhimento silencioso. E quando ela vem com a mesma intensidade dos dois lados, quem sente isso são as paredes desse corpo que vos fala: meu organismo.

Aqueles que me conhecem a fundo sabem o quanto sonho e o quanto me cobro para atingir aquilo que sonhei. E aqueles que já passaram,ou estão passando pelo drama do terceirão sabem a pressão exercida pelos colégios: “vocês tem que passar esse ano”. Inclusive, essa pressão foi aumentada mais ainda, já que esse será o último ano com o vestibular tradicional. Poderia dizer que recebo pressão da minha família, mas como ela é silenciosa e velada, as vezes passa despercebida, então a desconsiderarei nesse projeto de relatório (apesar de saber bem que a diferença entre a teoria e a prática é causada exatamente por esses pequenos fatores que desconsideramos na hora de fazer “cálculos”). Dessa forma, sinto meu corpo se manifestando à ação dessas forças que citei. A interna, vinda de meus próprios sonhos (quem diria, sempre os criei com tanta atenção!), e a externa, vinda da escola.

Concluindo, todas essas minhas explicações sobre forças e etc, foram apenas para atestar que o problema a respeito do qual meus amigos vêm me questionando é meramente isso: física. Por isso não se preocupem, meus caros amigos (aqueles que se importam), a diferença de pressão é momentânea e dura só um ano.

 

(Puxa vida, acabo de receber um comentário interno sobre essa minha divagação:

“Ora,ora,Amanda, a quem você quer enganar? Seu ‘relatório’ não é para os seus ‘caros amigos’, é para você mesma!”. Acho que ele faz sentido.)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O resultado.

 O texto anterior foi feito para seis pessoas. Contando com a autora, quatro destas leram. Uma provavelmente nunca vai ler. E uma talvez leia em breve.
Três choraram, cada uma do seu jeito. Uma chorou e riu, junto comigo. Outra chorou e chorou e borrou a maquiagem. Outra chorou sem lágrimas, olhando pela janela, séria.
Meu texto chocou, e era minha intenção. Mas vou falar do poder, que eu não esperava ter, vindo das palavras que escrevi.
Eu reparei que as minhas palavras fizeram todas voltar no tempo. Eu senti isso, na pele.
Quando a primeira leu, ela me deu a mão. Eu não tinha chorado enquanto escrevia. Mas comecei a chorar no mesmo instante em que toquei a mão dela. No exato mesmo instante.
Quando a segunda leu, ela veio me abraçar, chorando. Eu já tinha parado de chorar, mas foi só abraçá-la e as lágrimas voltaram.
Quando a terceira leu, eu fui abraçá-la. De novo, a mesma sensação: o toque e as lágrimas.

Meu texto fez tudo voltar, por instantes. Pelo tempo de duas mãos dadas, de um abraço molhado, de outro abraço apertado, elas voltaram a ser quem eram:
As Spolhas.
Por isso choramos.
É como se alguém que se foi voltasse à vida, como se alguém que não vemos faz tempo reaparecesse.

Tenho orgulho de dizer: em algum pedaço dessas três que já leram, a menina do passado retornou, tomou o corpo pelo tempo de um toque, e se foi. E foram palavras que proporcionaram essa volta. As minhas palavras.

Talvez aquelas meninas ainda estejam lá, em algum canto. Ou não. Quem sabe? Talvez.

Spolhas.

Uma sala de aula é o palco dessa tristeza. Carteira, cadernos, cadeiras, um quadro. E as personagens entrando pela porta.
A primeira entra. Senta. Fones de ouvido, e se fecha no seu mundinho. Aparece a segunda. Celular na mão, se senta também. Longe. Distantes. Chega a terceira. Larga seu material,passa reto pelas duas. Uma troca de olhares. Rápidos. Frios. Então chega a quarta. Finalmente, uma conversa! A primeira e a quarta trocam risadas, novidades. Mas ainda falta uma quinta. E até uma sexta. Esses últimos vazios, permanecem vazio. Não aparecem.
Quem olha as quatro ali, diria que amigas, só a primeira e a última. Entre elas, são apenas colegas. Nada sobrou para indicar que se conhecem há quase sete anos. Os indícios dessa velha amizade se foram, deixando apenas pistas imperceptíveis.
Para onde foi toda a intimidade? As conversas na chuva, conclusões na varanda sobre bolhas e nuvens. Segredos compartilhados. Lágrimas recolhidas por uma mão amiga, abraços. Fotos, palavras inventadas por um erro de pronúncia. Risadas, gargalhadas, a barriga doendo. Pijamas, colchões empilhados, fimles, conversas até o sol raiar. Paixões platônicas, compartilhada por todos.
Éramos seis crianças. Crescemos, mas desaprendemos a amar as outras. Hoje, tem um abismo que nos separa. Histórias, fofocas, dores e amores de meses nos separam. Segredos privados, guardados. Para duas, ainda existe a barreira física: a distância. Entre todas, um silêncio. A falta de palavras de quatro (d)ex-conhecidas. Só a lembrança e o passado em comum. Perguntas no olhar de, no mínimo, uma delas, essa que aqui desabafa:
-Quem são vocês? Não sei quem vocês são.
Ouço minha voz, vinda de alguns anos atrás: São elas. As Spolhas. Suas amigas.
Olho em volta. Minha voz de hoje responde, triste: Não, minha querida. Não são elas. Não mais.
E ambas, essa do presente a do passado, sentem a dor no coração. E choram juntas.

terça-feira, 10 de março de 2009

A arte de dizer não.

- Não.
- ...e talvez nós podemos... o quê?!
- Eu disse não.
Eu tentava com todas as minhas forças mostrar a verdade por trás dessas palavras, só através de minha voz e dos meus olhos. Era difícil dizer isso pra ele.
- Não o que?!
- Não... pra tudo. Eu não quero mais sair com você, eu não vou te ver. E...
- E...?
- Eu não quero mais te esperar.
Puxa, aquilo não era nada fácil. Dúvida e preocupação preenchiam cada ruga de seu rosto adorável, mas nem aquilo mudou minha decisão.
- Esperar o que?
- Você. Eu cansei de esperar por você.
- Como assim, cansou de me esperar? Aline, eu não estou te entendendo.
- Eu não aguento mais, Marcos! Você sempre precisa de tempo, sempre precisa pensar. Eu cansei, eu não posso ficar te esperando sempre!
Aquilo era realmente a facada. Acho que ele não esperava essa.
- Mas Aline, já te expliquei o porque, eu realmente preciso de tempo porque não é só você, são os sentimentos de outra pessoa também!
- Eu já ouvi tudo isso, Marcos. E eu entendo, mesmo. Mas não dá. É impossível eu competir com ela. Eu sei disso. 
- Mas eu não sei se vai dar certo com ela...
- E se der? Eu vou ficar todo esse tempo esperando a toa? Pra depois ser chutada como um cachorro de rua? Não.
Agora ele ia começar a chorar. Eu sabia que ele gostava de mim, mas não podia competir com a Rafaela. Eles tinham história, mais do que eu com ele. O laço entre os dois era muito mais forte do que o meu com ele. Eu só precisava que ele entendesse que eu não ia ficar esperando. Eu não queria ser a outra. Mas de qualquer jeito, era difícil dizer não para ele.
- Mas eu não sei se a Rafaela quer ficar comigo... se ela vai sentir minha falta agora.
- Não interessa. Você não pode ter nós duas. E eu não vou ficar aqui sendo a boba da história.
- Aline, veja bem...
- Não, Marcos, não tem o que ver. Talvez você dê certo com ela, talvez não. Se der, eu vou ficar feliz, porque você também vai estar. Mas eu não posso te dar todo o tempo do mundo, eu tenho que pensar na minha felicidade também! Eu sinto muito, mesmo. Mas você demorou tempo demais, e eu só te vejo "esperar" e "pensar".
- Eu não queria isso. Eu gosto muito de você.
- Eu sei disso. E eu também gosto muito de você. Mas eu tenho a minha vida.
- Me perdoa.
- Eu te perdôo sim. Mas não posso te esperar.
- Se ela não der certo, eu não tenho uma chance?
- Se você não tivesse demorado tanto tempo, eu até poderia pensar. Mas eu não quero ser a sua "vice", Marcos. Te desejo toda a sorte com ela, mas comigo, acabou.
- Desculpe te fazer esperar tanto tempo.
- Dá nada.Boa sorte com a Rafa. Espero que vocês dêem certo.
- Ainda podemos ser amigos?
- Podemos sim, mas não espere uma segunda chance. Acabou mesmo.
- Tudo bem.
Eu conseguia ver que não estava tudo bem. Ele chorava e eu via em cada lágrimas, os pedacinhos de chances que eu tinha. Mas se fosse a Rafaela dizendo isso, seriam muito mais lágrimas, com pedaços maiores. Ela tinha mais chances que eu, e eu não queria participar de uma competição imparcial. Não era justo eu mesma me colocar nessa situação. E se ele não quis me tirar antes, eu preferi sair com minhas próprias pernas.
- Eu não devia ter deixado você esperando.
- Leu minha mente.
- É que quanto mais eu pensava, mais em dúvida eu ficava.
- Bom, estou facilitando sua vida. Você não precisa mais escolher. O caminho está livre agora.
- Por que eu sempre tenho que machucar alguém?
- Porque ou você toma decisões precipitadas, ou atrasadas.
- Mas como eu vou saber se é a hora certa?
- Assim que a balança pesa mais pra um lado.
Ele olhava para as próprias mãos. Estava desolado, mas ia passar logo. Agora ele não tinha mais dúvidas e podia se concentrar inteiramente na Rafaela. Era melhor pra ele.
Mas fácil era a última palavra para definir minha decisão.
- É isso então? - os olhos dele subiram até se encontrar com os meus. Oh não, contato visual era a última coisa que eu queria... Tarde demais. Já estava chorando. - Não, não chora!
- Não se preocupe, já passa. Tanto pra você quanto pra mim.
- É... eu sei.
Me levantei e peguei minha bolsa.
- Eu... já vou indo. Foi bom conversar com você. Boa sorte.
- Obrigada... e desculpe novamente.
- Relaxe.
Nos despedimos e fomos em lados opostos. Agora, eu tinha só o meu caminho à minha frente, e ele o dele. Eu deixei de ser um obstáculo, e ele estava livre. Ia ficar tudo bem.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Desabafo.

Por tempos e tempos, me orgulhei de ter muitos amigos verdadeiros. E fazendo parte da nova geração, o único modo de me comunicar com uma parte considerável deles é justamente a internet. Mas eu havia me esquecido de um detalhe: amizades exigem tempo. E com esse monstrinho chamado vestibular escondido em cada canto do meu dia-a-dia, tempo para internet é algo de que eu não disponho todo dia. São 5 minutos aqui, meia hora ali, tempo nenhum acolá.
Foi por isso que decidi escrever esse texto. Não estou me preocupando em impressionar  quem lê ou criticar algo, só quero pedir desculpas sinceras usando algo que que me é familiar: as palavras. E o motivo pelo qual peço desculpas é o que já expliquei: ando sem tempo, e como consequência, consigo sentir minhas amizades lentamente indo embora. E essa é a última coisa que eu quero.
Só quero explicar que já está difícil conciliar escola, inglês, teatro e estudo em apenas 7 dias, sem nem contar as coisas que tenho que fazer em casa. Aqueles que não se encaixam em nenhuma dessas atividades,  para minha tristeza, ficam com os restos de tempo, que nem sempre não suficientes.
E como uma grande bola de neve, as conversas ficam distantes e silenciosas, parecendo que os poucos minutos disponíveis duram muito menos. E quando o assunto finalmente aparece, já é hora de ir embora.
Então, sem mais, peço desculpas para todos esses que me sentem distante ou sumida. Não é por opção que estou assim, é só esse monstrinho fazendo pressão e roubando horas do meu dia. Vocês me fazem muita falta, e eu percebo que estou sendo substituída ou esquecida, mas por favor, não façam isso. É só uma fase, e eu preciso de vocês naqueles poucos minutos que tenho. Terceiro ano não é fácil e sem vocês, eu não sobrevivo até o final. A vestibularite vai passar, e eu vou voltar com tudo. Eu só quero ver vocês me esperando quando essa hora chegar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

E acima de tudo, o amor.

Eram dois e não tinham nada. Roupa rasgadas e amassadas. Estava calor e eles dormiam na grama, lado a lado. Ainda era de manhã. Dois casacos e uma mochila suja estavam ali ao lado, e uma sacola pendurada na árvore próxima. Aqueles dois não tinham nada, nem sequer um lugar pra dormir.

            Era um casal. Eles dormiam em uma praça pública, em um canteiro. E mesmo sem ter nada, nem o que comer, nem onde dormir, ainda existia o amor. Você percebia isso pois eles dormiam longe, devido ao calor, mas seus pés estavam entrelaçados e as mãos repousavam uma em cima da outra.

            É simplesmente incrível como o amor sobrevive em qualquer coração. Chega a ser impossível duvidar dele depois dessa grande demonstração da sua força.

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

And the Oscar goes to...

São poucas as vezes que tenho a oportunidade de assistir a cerimônia do Oscar inteira. Geralmente tem aula no dia seguinte, e como a cerimônia se estende até tarde, só fico sabendo os resultados depois. Mas hoje, vi do início ao fim. É de conhecimento geral que o sonho de qualquer atriz sem dúvida é ganhar um Oscar, e como atriz que sou, não podia ter um sonho diferente.

            Hoje, sentada na frente da tv, assistindo a cerimônia sem dublagem, eu vivenciei uma experiência única. Eu me sentia lá. Eu conseguia sentir as pessoas a minha volta e o meu vestido nos meus calcanhares. Eu via o gigantesco palco do Kodak Theater logo ali, na minha frente. As danças e performances faziam vibrar a minha cadeira. Eu me emocionava com homenagens e discursos. Cheguei até a sentir nas veias a alegria imaginária de ser indicada e ganhar um Oscar. Como muitos, já tinha meu discurso pronto, mas imaginei mil reações. Eu poderia muito bem começar a chorar e borrar toda minha maquiagem. Eu podia desmaiar, também. Esquecer quem eu sou e porque estou ali.  Tropeçar na barra do vestido ou dar uma estrela sem ligar se meu Prada/Dior/LaisHollzman/whatever virava do avesso ou estourava a costura. Ir para o lado errado, cuspir na Meryl Streep durante meu discurso emocionado. Ter tantas pessoas para agradecer que meu tempo acabava e eu tinha que sair ali ainda falando. Agradecer aos meus pais, ao Orly, à Isabelle. Dizer Obrigado em português. Eu poderia muito bem esquecer como se fala inglês assim que ouvisse meu nome. Eu imaginei mil coisas, sentia a emoção das belíssimas atrizes sendo homenageadas por nomes que elas admiram. Grandes nomes citando o meu. Abraçar meu diretor, meus companheiros de cena e meu marido antes de subir ao palco. Ver meu filme, aquele pedaço de mim, ganhando outros prêmios, ao lado de nomes que nunca imaginei compartilhar. Olhar para trás e ver todos aqueles atores que me inspiraram logo ali, sentados, como pessoas normais. Sentir a câmera me focando, meus olhos brilhantes em exibição para o mundo inteiro.

            Mas teve um detalhe que eu só percebi no último prêmio, o de Melhor Filme. Durante toda a cerimônia, observei com curiosidade os atores do filme ganhador. Sua indicação não era esperada, por não ter grandes nomes nem uma super produção. No entanto, concorreu a 10 indicações e ganhou várias. E a cada vez que ganhava um prêmio, os atores e o diretor e o produtor, vibravam de uma maneira incrível. Era a felicidade pura estampada no rosto de todos eles. E quando o grandessíssimo diretor Steven Spielberg anunciou que o melhor filme de 2008 era o deles, o entusiasmo foi geral.

            No palco, todos subiram. Um grupo grande desde o pessoal da técnica até o elenco infantil se reuniu ali naquele círculo, em volta do microfone. Quando eles começaram a se abraçar e comemorar, foi que eu saí da minha fantasia particular e tive um deja-vu. Eu já estive ali. Não ali, especificamente, mas eu já senti aquele tipo de emoção, já tive aquele tipo de reação.

            Eu percebi que ganho um Oscar a cada dois meses, no mínimo. Eu ganho um Oscar cada vez que recebo os parabéns de um público. Eu ganho um Oscar a cada pessoa da platéia que aplaude. E eu comemoro nos fundos do palco, quando encontro as minhas divinas companheiras de cena. A alegria que eu via nos olhos dos ganhadores, era a mesma, eram os mesmos abraços entusiasmados e o sorriso inapagável.  E as lágrimas nos olhos, o coração acelerado eram meu discurso.

            Eu não preciso de uma estatueta ou de um vestido longo. Eu sou premiada só com o tubo de demaquilante e o uniforme da Cia. Verás. Eu não preciso de microfone, quando eu tenho o espelho do camarim. E eu não preciso do reconhecimento global quando eu tenho o sorriso de missão cumprida das minhas colegas. Os aplausos de grandes estrelas de Hollywood não valem nem um pouco a mais do que o aplauso de uma platéia de amigos, familiares, admiradores ou simplesmente espectadores aleatórios.  O meu the Oscar goes to...  é quando eu me curvo no final da peça. Porque no final de tudo, o Oscar é só um reconhecimento de um bom trabalho. E platéia cheia e uma salva de palmas também são.